Milhares marcham em Zaragoza e dezenas de milhares saem às ruas em toda a Espanha em apoio a Ceuta

A praça do Pilar, em Zaragoza, reuniu entre 25 mil e 32.500 pessoas. Em toda a Espanha, dezenas de milhares protestaram no Dia de Ceuta contra a crise migratória após a entrada irregular de mais de 70 mil pessoas no enclave no final de julho.

Setembro 3, 2026 - 21:00
Setembro 3, 2026 - 21:00
Milhares marcham em Zaragoza e dezenas de milhares saem às ruas em toda a Espanha em apoio a Ceuta
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A praça do Pilar, em Zaragoza, encheu-se na noite de quarta-feira com milhares de bandeiras espanholas. O Ayuntamiento estimou entre 25 mil e 32.500 pessoas, segundo câmeras de contagem. Os gritos mais repetidos foram “Ceuta não se vende, Ceuta se defende”, “Espanha não se vende” e “fim à invasão”. Houve também pedidos de demissão de Pedro Sánchez.

A concentração, convocada pela Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP) no Dia de Ceuta, teve à frente a prefeita Natalia Chueca e o presidente de Aragão, Jorge Azcón, ambos do PP. Moradores ceutis radicados em Zaragoza leram um manifesto: a cidade autónoma é “parte irrenunciável” da Espanha e “não pode assumir sozinha” a pressão na fronteira sul da União Europeia. Em Huesca e Teruel houve 3 mil e 2 mil pessoas; outros 26 municípios aragoneses também se mobilizaram.

O ato de Zaragoza fez parte de uma jornada nacional. Em Madrid, a Delegação do Governo falou em cerca de 50 mil pessoas na praça de Cibeles; o Ayuntamiento elevou a cifra a 150 mil. Em Valência, cerca de 25 mil. Em Ceuta, 20 mil — a maior marcha recente da cidade. Em Albacete, mais de 28 mil. Castela e Leão somou cerca de 70 mil nas nove capitais provinciais. Houve concentrações em Sevilha, Málaga, Córdoba, Barcelona, Bilbao, Palma e centenas de outros municípios. Somadas, as mobilizações superam com folga a marca de 100 mil em todo o país.

O estopim é a entrada irregular de mais de 70 mil pessoas em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho. A maioria voltou a Marrocos; o Governo fala em cerca de 5 mil ainda no enclave, incluindo 1.200 a 1.500 menores, numa cidade de pouco mais de 83 mil habitantes. As autoridades locais citam números mais altos. Relatos de insegurança, acampamentos em praias e parques e um relatório policial sobre o papel de agentes marroquinos no cruzamento alimentaram a raiva nas ruas.

Em várias cidades houve contramanifestações contra o racismo. Em Madrid, após o ato principal, um grupo tentou seguir até o Congresso e a polícia usou material antidistúrbio. Feijóo (PP) e Abascal (Vox) estiveram na capital, em momentos distintos. O Governo defende que reforçou meios em Ceuta e que não há prova de que Rabat tenha orquestrado a avalanche; a oposição fala em falha de Estado e em pressão deliberada sobre a fronteira.

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