Secretário do Tesouro dos EUA acusa governo Sánchez de colocar vidas americanas em risco e defende possíveis embargos comerciais contra Espanha

O secretário do Tesoro dos EUA, Scott Bessent, criticou duramente o governo de Pedro Sánchez, chamando-o de "aprovechado" na OTAN e afirmando que a recusa ao uso das bases de Rota e Morón colocou vidas americanas em risco durante operações contra o Irã. Bessent não descartou embargos comerciais como resposta.

Março 4, 2026 - 18:28
Secretário do Tesouro dos EUA acusa governo Sánchez de colocar vidas americanas em risco e defende possíveis embargos comerciais contra Espanha
Getty Images
Washington acusa Madri de falta de cooperação em momento crítico e ameaça retaliação econômicaWashington.
  • Em uma escalada verbal sem precedentes nas relações bilaterais recentes, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, acusou diretamente o governo espanhol, liderado pelo presidente Pedro Sánchez, de adotar uma postura que “colocou em risco vidas americanas” durante as operações militares contra o Irã.Em entrevista à CNBC nesta quarta-feira, Bessent classificou a atitude da Espanha como “inaceitável” e “pouco cooperativa”, referindo-se especificamente à negativa de autorizar o uso das bases militares conjuntas de Rota e Morón para apoiar a “Operação Fúria Épica” — nome dado às ações aéreas lideradas pelos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos no fim de semana passado.“Qualquer coisa que retarde nossa capacidade de conduzir esta guerra da forma mais rápida e eficaz coloca vidas americanas em risco. Os espanhóis colocaram vidas americanas em risco”, afirmou Bessent, repetindo a acusação em tom enfático.O secretário do Tesouro foi além e classificou o governo espanhol como “aprovechado” (“free rider”, no original em inglês) no contexto da OTAN. Segundo ele, a Espanha é o único membro da Aliança que não cumpre adequadamente os compromissos de gastos em defesa — meta que, sob a administração Trump, foi elevada para 5% do PIB —, beneficiando-se da proteção coletiva sem contribuir proporcionalmente.

  • “O governo espanhol está se aproveitando intencionalmente do governo americano e de todos os demais aliados da OTAN que deram um passo à frente. A OTAN nunca esteve tão forte quanto agora graças ao presidente Trump, e os espanhóis não querem pagar sua parte justa”, declarou Bessent.As críticas surgem em meio à ameaça feita pelo presidente Donald Trump na véspera, durante reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz, de “cortar todo o comércio com a Espanha” e impor embargos. Trump ordenou diretamente a Bessent que preparasse medidas para “parar todos os negócios relacionados à Espanha”, afirmando ter autoridade legal para tal, respaldada por decisões recentes do Supremo Tribunal.

  • Questionado sobre a viabilidade de um embargo, Bessent respondeu que se trataria de “um esforço combinado” envolvendo o Departamento do Tesouro, o Representante Comercial dos EUA e o Departamento de Comércio, sem descartar a implementação.Do lado espanhol, o presidente Pedro Sánchez reafirmou nesta quarta-feira a posição de “não à guerra”, condenando as ações militares no Irã como “injustificáveis” e “perigosas”, e defendeu que a Espanha não será “cúmplice” de intervenções que violam o direito internacional, mesmo diante de ameaças comerciais. Sánchez destacou que a decisão sobre as bases soberanas espanholas prioriza a paz e a estabilidade global.

  • A troca de acusações ocorre em um momento de alta tensão geopolítica, com os Estados Unidos pressionando aliados europeus a aumentarem drasticamente os investimentos em defesa e a alinharem-se mais firmemente às ações contra o Irã. Analistas apontam que o episódio pode testar os limites da unidade transatlântica e gerar impactos econômicos significativos no comércio bilateral, que envolve bilhões de euros anuais em exportações espanholas de bens como azeite, vinho, automóveis e componentes industriais.

  • Até o momento, nem o Departamento de Estado nem a Casa Branca emitiram comunicados oficiais adicionais sobre sanções iminentes, mas o tom adotado por Bessent indica que a administração Trump considera a Espanha um caso exemplar na luta contra os chamados “free riders” da OTAN.A situação segue em monitoramento por parte da União Europeia, que pode interpretar eventuais embargos unilaterais como um precedente preocupante para o bloco.

Qual é sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow