Brasil teve 6.904 vítimas de feminicídio em 2025, aponta estudo da UEL; número inclui tentativas e supera dados oficiais em 38%Por Redator-Chefe K13 News – 02 de março de 2026O Brasil registrou um aumento alarmante na violência letal contra as mulheres em 2025. De acordo com o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, produzido pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o país contabilizou 6.904 vítimas entre casos consumados e tentados — um crescimento de 34% em relação a 2024, quando foram registrados 5.150 casos.Do total, 2.149 resultaram em feminicídios consumados (assassinatos), o que equivale a uma média de 5,89 mulheres mortas por dia (quase 6 por dia). Outros 4.755 foram tentativas frustradas de assassinato por motivos de gênero. Os dados, compilados a partir de notícias, boletins policiais e fontes oficiais, representam o maior número desde o início do monitoramento nacional pelo Lesfem em 2023.O relatório destaca que 75% dos casos são classificados como feminicídio íntimo, cometidos por maridos, ex-maridos, companheiros, namorados ou ex-namorados. A maioria ocorre no âmbito doméstico: 38% na residência da vítima e 21% no imóvel do casal. Mulheres negras e em faixas etárias jovens e adultas (18-44 anos) são as mais afetadas, conforme perfis traçados pelo estudo.Os números do Lesfem superam em 38,8% (mais de 600 casos) os dados oficiais divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) via Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Segundo a última atualização do MJSP, foram registrados 1.548 feminicídios consumados em 2025 — valor que indica significativa subnotificação, possivelmente por diferenças metodológicas na classificação e no envio de informações pelos estados.Especialistas do Lesfem enfatizam que o feminicídio é o estágio final de uma escalada de violência que inclui agressões físicas, psicológicas e sexuais. Cerca de 22% das vítimas já haviam denunciado o agressor ou buscado ajuda anteriormente, o que reforça a urgência de fortalecer redes de proteção, como o Ligue 180, Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e medidas protetivas efetivas.No Mês da Mulher, o dado reacende debates no Congresso — incluindo audiências na Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher — e pressiona por mais investimentos em prevenção, educação de gênero e responsabilização de agressores. Iniciativas como o Pacto Nacional Brasil sem Feminicídio e o fortalecimento da Lei Maria da Penha são citadas como caminhos, mas o desfinanciamento de programas locais continua sendo um entrave.O K13 News reforça: violência de gênero é crime e pode ser denunciada anonimamente pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher, 24h) ou 190 (emergências). Nenhuma vida merece ser interrompida pela violência.Compartilhe esta reportagem e comente: quais ações concretas você acha que o governo e a sociedade precisam adotar urgentemente para combater o feminicídio?K13 News – Denunciando a violência, ampliando vozes e salvando vidas.