O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) intensificou críticas ao ministro Alexandre de Moraes (STF) ao expor e comentar mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o magistrado. Em vídeo publicado nas redes sociais e em postagens, Ferreira destacou diálogos revelados pela Polícia Federal e pela imprensa, ocorridos no dia 17 de novembro de 2025 – data da primeira prisão de Vorcaro pela PF –, e questionou a ausência de contatos registrados entre o banqueiro e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro e contratada pelo banco.
As mensagens, extraídas do celular de Vorcaro e divulgadas em reportagem da jornalista Malu Gaspar no jornal O Globo, incluem tentativas de Vorcaro de contatar Moraes horas antes da detenção, com frases como “Conseguiu bloquear?” e referências a crises de liquidez no Banco Master. Ferreira classificou o episódio como grave, afirmando que “por muito menos o Alexandre de Moraes já teria prendido o Alexandre de Moraes” e que o destino do ministro “não é o impeachment, é a cadeia”.
O parlamentar argumenta que as conversas sugerem possível obstrução de justiça ou favorecimento, especialmente considerando o contrato de R$ 129 milhões (em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões) firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, comandado por Viviane e com participação de filhos do casal.O que mais chamou atenção de Ferreira e de aliados da oposição, como o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), é a falta de qualquer registro de mensagens, ligações ou contatos entre Vorcaro e Viviane nos dados periciados pela PF. “O mais impressionante disso tudo é que Vorcaro pagava R$ 3,6 milhões para a mulher do Moraes por mês, mas não ligou ou trocou mensagem com ela nem uma vez”, disse Gayer, ecoado por Ferreira.
O deputado questionou publicamente: por que o banqueiro, prestes a ser preso, buscou o ministro diretamente e não sua advogada contratada? A suspeita levantada é de que Moraes estaria atuando em defesa dos interesses do banco, além do papel formal da esposa.Moraes negou ter recebido as mensagens citadas, classificando as acusações como “ilações mentirosas”, e afirmou que eventuais prints estariam em “pastas de outras pessoas”. Viviane Barci de Moraes também negou ter recebido as referidas mensagens. O contrato com o Master, firmado em 2024 e revelado em dezembro de 2025, previa assessoria jurídica, mas o banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro passado, em meio à Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras bilionárias.
O caso alimenta a pressão da oposição por uma CPI do Banco Master no Congresso e por maior escrutínio ético no STF. Parlamentares do PL defendem investigação aprofundada pela PGR e responsabilização criminal, enquanto o episódio reforça o embate entre bolsonarismo e o Judiciário em ano eleitoral. Até o momento, não há manifestação oficial do STF ou da PGR sobre as novas alegações de Ferreira.