Agricultores europeus se rebelam contra acordo com a América do Sul e pressionam Bruxelas

Produtores rurais da União Europeia intensificam protestos contra o acordo comercial com países da América do Sul, alegando concorrência desleal, riscos ambientais e ameaça à sobrevivência do setor agrícola europeu. A pressão cresce sobre líderes do bloco em meio a bloqueios de estradas e manifestações em capitais.

Dezembro 18, 2025 - 15:15
Dezembro 18, 2025 - 15:18
Agricultores europeus se rebelam contra acordo com a América do Sul e pressionam Bruxelas
by reuters

A paciência dos agricultores europeus chegou ao limite. Tratores tomaram estradas, faixas foram erguidas diante de prédios públicos e o recado ecoou com força em Bruxelas: o campo europeu rejeita o acordo comercial entre a União Europeia e países da América do Sul.

Produtores de diversos países do bloco afirmam que o tratado abre as portas para uma concorrência considerada desleal, especialmente no setor de carnes, grãos e açúcar. Segundo os manifestantes, as exigências ambientais e sanitárias impostas aos agricultores europeus são muito mais rigorosas do que aquelas aplicadas aos produtores sul-americanos.

“Estamos sendo sacrificados em nome do comércio”, dizem líderes rurais, que alertam para o risco de quebras generalizadas, fechamento de pequenas propriedades e êxodo rural caso o acordo avance nos moldes atuais.

Além do impacto econômico, os agricultores também levantam bandeiras ambientais. Eles acusam a União Europeia de incoerência ao exigir padrões sustentáveis internos enquanto negocia importações de regiões associadas ao desmatamento e à expansão agressiva da fronteira agrícola.

A onda de protestos já provoca desconforto político. Governos nacionais enfrentam pressão interna para barrar ou rever o acordo, enquanto autoridades europeias tentam conter a revolta prometendo salvaguardas — que, até agora, não convenceram o setor.

Nos bastidores, cresce o temor de que a resistência do campo possa trav ar a ratificação do tratado, considerado estratégico para a política comercial da UE. Para os agricultores, porém, a mensagem é clara: sem garantias concretas, não haverá trégua.

Com o clima de tensão em alta, o embate entre comércio global e sobrevivência rural promete dominar a agenda europeia nos próximos meses — e o campo já deixou claro que não recuará facilmente.

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