Putin apoia plano de Trump para a Groenlândia, expondo contradições estratégicas

O presidente russo, Vladimir Putin, expressou publicamente seu apoio à proposta de Donald Trump de anexar a Groenlândia, uma medida que, segundo analistas, beneficia Moscou ao enfraquecer a OTAN e reforçar as narrativas usadas para justificar a invasão da Ucrânia pela Rússia. No entanto, o endosso de Putin também mina o próprio argumento de Trump de que a Groenlândia é necessária para conter a ameaça russa.

Janeiro 19, 2026 - 15:25
Putin apoia plano de Trump para a Groenlândia, expondo contradições estratégicas
La Jornada

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou seu apoio ao plano de Donald Trump de anexar a Groenlândia, uma declaração que causou surpresa nos círculos diplomáticos e de segurança devido às implicações estratégicas que acarreta tanto para Washington quanto para Moscou.

Para o Kremlin, argumentam analistas, a proposta de Trump é duplamente vantajosa. Primeiro, ela corre o risco de enfraquecer a OTAN, um objetivo estratégico de longa data para Putin, que busca há mais de duas décadas fragmentar a unidade e a credibilidade da aliança. Qualquer disputa entre os Estados Unidos e seus aliados europeus sobre a Groenlândia tensionaria as relações transatlânticas e complicaria a coesão interna da OTAN.

Segundo, o apoio de Putin ajuda a reforçar a lógica que ele tem usado repetidamente para justificar a invasão da Ucrânia pela Rússia. Muitos dos argumentos apresentados por Trump em favor da anexação da Groenlândia — incluindo a necessidade estratégica, as reivindicações históricas, as preocupações com a segurança e a competição entre grandes potências — espelham de perto as justificativas que Moscou citou para suas ações na Ucrânia.

Uma contradição estratégica para Trump

Ao mesmo tempo, o apoio de Putin expõe uma contradição central na narrativa de Trump. O ex-presidente dos EUA argumentou que controlar a Groenlândia é essencial para conter a ameaça russa no Ártico e impedir que Moscou expanda sua influência na região.

No entanto, críticos observam que, se a Groenlândia fosse realmente uma medida para conter a Rússia, seria contraproducente Putin apoiá-la abertamente. A aprovação do Kremlin levanta questões sobre se o plano realmente serve aos interesses de segurança dos EUA ou se, em vez disso, promove os objetivos estratégicos russos, semeando a divisão dentro da aliança ocidental.

"Este é um caso raro em que Moscou aplaude uma proposta dos EUA", disse um analista europeu. "Só isso já deveria suscitar sérias reflexões em Washington e Bruxelas."

Implicações geopolíticas mais amplas

O Ártico tornou-se uma arena cada vez mais disputada, com a Rússia, os Estados Unidos e a China buscando expandir sua influência à medida que o derretimento do gelo abre novas rotas de navegação e acesso a recursos naturais. A Groenlândia, um território autônomo sob soberania dinamarquesa, ocupa uma posição estratégica crucial nessa competição.

Líderes europeus têm reiteradamente enfatizado que o futuro da Groenlândia deve ser decidido exclusivamente pelos groenlandeses e pela Dinamarca, alertando que qualquer ação unilateral violaria as normas internacionais e desestabilizaria ainda mais um ambiente global já tenso.

Um alinhamento inesperado

O apoio de Putin à proposta de Trump destaca uma convergência inesperada de interesses entre dois líderes frequentemente retratados como adversários. Embora suas motivações sejam diferentes, o resultado — enfraquecimento da unidade da OTAN e normas imprecisas em torno da soberania territorial — estaria em estreita consonância com os objetivos russos de longa data.

À medida que os debates sobre a Groenlândia se intensificam, o episódio ressalta como a sinalização geopolítica pode, por vezes, revelar mais através de quem apoia uma ideia do que através de quem se opõe a ela.

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