EUA e Irã retomam diálogo nuclear em Omã sob sombra de ameaças e risco de confronto

Autoridades dos Estados Unidos e do Irã se reúnem em Omã para discutir um possível acordo nuclear após uma escalada de ameaças militares. O encontro ocorre em um momento crítico no Oriente Médio, com Washington afirmando priorizar a diplomacia, mas mantendo aberta a opção do uso da força.

Fevereiro 6, 2026 - 13:44
Fevereiro 6, 2026 - 13:47
EUA e Irã retomam diálogo nuclear em Omã sob sombra de ameaças e risco de confronto
by Reuters

Representantes dos Estados Unidos e do Irã se reúnem neste fim de semana em Omã para tentar destravar negociações em torno de um novo acordo nuclear, em um contexto marcado por retórica agressiva, movimentações militares e crescente instabilidade no Oriente Médio. O encontro, mantido sob discrição diplomática, ocorre após uma série de trocas de ameaças que elevaram o temor de um confronto direto entre os dois países.

A retomada do diálogo acontece em um momento delicado. Nas últimas semanas, Washington e Teerã intensificaram acusações mútuas, com alertas públicos sobre possíveis ações militares caso não haja avanços concretos. Ainda assim, autoridades norte-americanas afirmam que a diplomacia segue sendo o caminho preferencial para conter o programa nuclear iraniano e evitar uma escalada regional de grandes proporções.

O ex-presidente Donald Trump, figura central no debate após ter retirado os EUA do acordo nuclear original em 2018, declarou que prefere uma solução negociada, mas reforçou que “todas as opções continuam sobre a mesa”. A declaração reflete a posição dominante em Washington: disposição para conversar, combinada com pressão máxima e demonstração de força.

Do lado iraniano, o governo sustenta que não busca desenvolver armas nucleares, mas exige garantias concretas de que eventuais sanções econômicas serão suspensas de forma efetiva e duradoura. Teerã também cobra compromissos claros de que os Estados Unidos não abandonarão novamente o acordo, como ocorreu no passado, minando a confiança entre as partes.

Omã foi escolhido como sede do encontro por seu histórico de atuação como mediador discreto em negociações sensíveis no Oriente Médio. O país mantém canais abertos tanto com Washington quanto com Teerã, desempenhando um papel estratégico em tentativas anteriores de reduzir tensões e evitar conflitos armados.

Analistas avaliam que o sucesso das conversas é incerto, mas consideram o simples fato de o diálogo ter sido retomado como um sinal relevante. A ausência de negociações, alertam especialistas, poderia acelerar o avanço do programa nuclear iraniano e aumentar a probabilidade de ações militares preventivas por parte dos EUA ou de seus aliados na região.

O cenário regional amplia a complexidade das discussões. Conflitos paralelos, disputas entre potências regionais e a presença militar estrangeira no Oriente Médio criam um ambiente volátil, no qual qualquer falha diplomática pode gerar efeitos em cadeia. Países aliados acompanham as negociações com atenção, temendo impactos diretos sobre a segurança energética e a estabilidade global.

Enquanto as reuniões avançam longe dos holofotes, o mundo observa com cautela. O desfecho das conversas em Omã pode representar um passo decisivo para a redução das tensões ou, em caso de fracasso, aprofundar um dos confrontos geopolíticos mais sensíveis da atualidade.

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