EUA pressionam por novo tratado nuclear na ONU e expõem divisões com Rússia e China

Os Estados Unidos defenderam na ONU a abertura de negociações para um novo tratado nuclear envolvendo Rússia e China, em meio ao fim iminente dos atuais acordos de controle de armas. Pequim rejeitou a proposta, enquanto Moscou condicionou qualquer avanço à inclusão das potências europeias no debate.

Fevereiro 6, 2026 - 13:23
Fevereiro 6, 2026 - 13:27
EUA pressionam por novo tratado nuclear na ONU e expõem divisões com Rússia e China
by Reuters

Os Estados Unidos elevaram o tom no debate global sobre o controle de armas nucleares ao defender, nesta sexta-feira (6), na Organização das Nações Unidas (ONU), a abertura de novas negociações para um tratado nuclear que inclua Rússia e China. A iniciativa expõe divergências profundas entre as principais potências militares do planeta e lança incertezas sobre o futuro da arquitetura de segurança internacional construída ao longo das últimas décadas.

A proposta foi apresentada por uma autoridade norte-americana responsável pela área de controle de armas, que afirmou ser “urgente e necessário” estabelecer um novo marco regulatório para limitar arsenais nucleares, especialmente diante da expansão acelerada da capacidade bélica chinesa e do iminente fim dos acordos vigentes entre Washington e Moscou. Segundo os EUA, um tratado “mais abrangente e aprimorado” seria essencial para evitar uma nova corrida armamentista global.

Atualmente, os principais mecanismos de controle nuclear se concentram nos arsenais dos Estados Unidos e da Rússia, herança direta da Guerra Fria. No entanto, Washington argumenta que esse modelo se tornou obsoleto diante do crescimento estratégico da China, que, embora possua um arsenal menor, vem investindo fortemente em modernização, diversificação e ampliação de suas ogivas nucleares.

A reação de Pequim foi imediata e categórica. Representantes chineses rejeitaram a proposta norte-americana, classificando-a como “irrealista” e “desequilibrada”. Segundo a diplomacia chinesa, o país não pode ser colocado no mesmo patamar de Estados Unidos e Rússia, que juntos concentram a esmagadora maioria das armas nucleares do mundo. Pequim sustenta que qualquer negociação multilateral só faria sentido após reduções substanciais por parte das duas maiores potências nucleares.

Já a Rússia adotou uma postura mais ambígua, mas igualmente condicionada. Moscou afirmou estar aberta ao diálogo, porém deixou claro que não aceitará um novo tratado que exclua outras potências nucleares, especialmente países europeus aliados da Otan, como França e Reino Unido. Para o Kremlin, a segurança estratégica global não pode ser discutida de forma seletiva, ignorando arsenais que também influenciam o equilíbrio militar no continente europeu.

O impasse evidencia a crescente fragmentação do sistema internacional de controle de armas. Especialistas alertam que, sem um novo acordo antes do vencimento dos tratados atuais, o mundo pode entrar em um período de instabilidade inédita, com menos transparência, mais desconfiança e maior risco de escaladas militares. A ausência de limites formais tende a incentivar investimentos em armamentos cada vez mais sofisticados e destrutivos.

Além do aspecto militar, o debate carrega forte peso político. Para os Estados Unidos, pressionar por um tratado tripartite reforça a narrativa de liderança global em segurança internacional. Para China e Rússia, porém, a proposta é vista como uma tentativa de conter adversários estratégicos sem concessões equivalentes por parte de Washington e seus aliados.

Enquanto as discussões avançam lentamente nos corredores diplomáticos da ONU, o relógio corre contra o consenso. A falta de acordo não apenas ameaça décadas de esforços para conter a proliferação nuclear, como também amplia o risco de um mundo mais perigoso, marcado por rivalidades abertas e pela erosão das regras que, até aqui, ajudaram a evitar conflitos de proporções catastróficas.

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