“Tenho preço”: crise explode após recuo de Flávio Bolsonaro e aliados veem candidatura-relâmpago como gesto para agradar Trump

A entrada e saída de Flávio Bolsonaro da disputa presidencial em apenas 48 horas provocou turbulência no mercado, irritou aliados e ampliou o desgaste da família Bolsonaro. A fala do senador — “tenho preço” — foi vista como desastrosa por apoiadores, que enxergam na iniciativa uma tentativa mal calculada de se aproximar de Donald Trump. O episódio expôs falta de estratégia, rachas internos e esfriou a aproximação com lideranças de centro-direita.

Dezembro 9, 2025 - 12:39
Dezembro 14, 2025 - 16:23
“Tenho preço”: crise explode após recuo de Flávio Bolsonaro e aliados veem candidatura-relâmpago como gesto para agradar Trump
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A cena política brasileira ganhou novos contornos de caos após o movimento relâmpago de Flávio Bolsonaro, que anunciou sua pré-candidatura à Presidência na sexta-feira (5) e, apenas dois dias depois, no domingo (8), recuou publicamente — um gesto que seus próprios aliados definiram como “desastroso” e “sem qualquer estratégia minimamente pensada”.

Nos bastidores, integrantes próximos ao clã Bolsonaro afirmam que a explicação mais provável para a manobra é a tentativa de Flávio de se projetar internacionalmente, especialmente diante da aproximação com Donald Trump, figura-chave para a base bolsonarista. A leitura predominante é que o senador buscou enviar um sinal de alinhamento ao ex-presidente norte-americano, mas acabou produzindo o efeito oposto: turbulência política, ruído interno e desgaste imediato.

A fala de Flávio — “tenho preço”, dita em tom supostamente irônico — virou combustível para críticas de aliados, adversários e até de setores que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro. Assessores políticos classificaram a declaração como um “erro monumental”, abrindo espaço para ataques e para leituras negativas sobre a seriedade de sua breve candidatura.

Os efeitos no mercado foram imediatos: o anúncio e o recuo em curto intervalo pressionaram a bolsa para baixo e elevaram o dólar, segundo analistas financeiros, que apontam incerteza política como gatilho para o movimento. A oscilação reforçou a percepção de instabilidade e agravou o sentimento de falta de coordenação dentro do grupo bolsonarista.

A tentativa de protagonismo também irritou lideranças da centro-direita, que já mantinham relação delicada com a família Bolsonaro após diversos episódios recentes. O recuo tão rápido — e sem explicações estratégicas — reforçou a impressão de amadorismo político, afastando possíveis apoios e congelando conversas sobre alianças futuras.

Nos círculos políticos, o episódio é tratado como mais um sinal de fragmentação dentro do campo da direita brasileira, que vê sua principal figura — Jair Bolsonaro — envolvida em problemas jurídicos e restrições eleitorais. Nesse contexto, a movimentação de Flávio foi percebida como uma tentativa de ocupar um espaço que ainda não existe de forma consolidada.

Além disso, a desistência relâmpago trouxe à tona questionamentos sobre a capacidade do senador de liderar uma articulação nacional, já que o episódio deixou claro o vazio estratégico e a ausência de coordenação entre os diferentes núcleos políticos ligados ao ex-presidente.

Entre aliados próximos, o clima é de frustração. Um deles resumiu: “Flávio tentou agradar a todos e acabou desagradando até quem estava com ele”.

A crise, embora contida, expõe a dificuldade do grupo Bolsonaro em reorganizar seu projeto político enquanto enfrenta disputas internas, perda de espaço na centro-direita e a falta de uma narrativa unificada — cenário que promete continuar alimentando incertezas nas próximas semanas.

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