Lula intensifica diplomacia global em meio a crises na Venezuela, Gaza e Groenlândia
Com o cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva conversou com 14 líderes mundiais para articular respostas diplomáticas a conflitos em Venezuela e Gaza, além de debater competições estratégicas envolvendo Groenlândia e iniciativas lideradas pelos Estados Unidos. A ação reforça o papel do Brasil em defesa do multilateralismo.
BRASÍLIA — Em um momento de profunda instabilidade no cenário internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nas últimas semanas uma agenda diplomática global robusta, mantendo diálogo com 14 chefes de Estado e de governo sobre temas que polarizam a política mundial — da situação na Venezuela ao conflito na Faixa de Gaza, passando pelas disputas estratégicas em torno da Groenlândia.
As conversas — parte de uma estratégia que une retórica de multilateralismo e defesa da soberania nacional — ocorrem justamente quando diversos pontos de tensão acumulam riscos de desestabilizar relações entre potências e nações em desenvolvimento. Entre os interlocutores de Lula estão líderes de países da América Latina, Europa, Ásia e África, em um esforço para articular posições comuns diante de conflitos armados, reconfigurações geopolíticas e iniciativas multilaterais contestadas.
Na agenda de temas centrais está a crise venezuelana, cujo desfecho recente estilizou um novo capítulo nas relações hemisféricas: a captura e remoção do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em janeiro despertou debates sobre respeito à soberania e limites da intervenção militar estrangeira. Lula destacou a importância de soluções que preservem a estabilidade regional e respeitem o direito dos povos decidir seu próprio destino.
Outro foco diplomático foi a guerra em Gaza, onde Lula defendeu, em interlocuções com países europeus e com os Estados Unidos, que quaisquer iniciativas de pacificação estejam ancoradas no papel central das Nações Unidas e respeitem o direito internacional, rejeitando modelos de governança que possam substituir ou enfraquecer o sistema multilateral vigente.
O “Conselho da Paz” proposto pelos Estados Unidos — uma iniciativa internacional para lidar com conflitos globais, incluindo o de Gaza, que já foi comparada por Lula a uma tentativa de criar uma nova organização global fora da ONU — motivou duras conversas entre os dois presidentes e inseriu o Brasil na discussão sobre a legitimidade e o alcance de tais estruturas.
As tensões também se estendem ao Ártico, onde a Groenlândia voltou à pauta estratégica após manifestações públicas do governo norte-americano sobre interesses no território. Em meio a essas movimentações, Lula tem buscado reforçar a necessidade de cooperação internacional e evitar políticas unilaterais que possam acirrar rivalidades entre grandes potências, especialmente entre Estados Unidos, China e Europa.
Nesse contexto, o presidente brasileiro se tornou uma das vozes mais ativas na defesa do multilateralismo e da diplomacia preventiva, alinhando-se em algumas frentes com países europeus e asiáticos que também criticam abordagens que consideram excessivamente unilaterais. Reuniões recentes com líderes como o chinês Xi Jinping, o russo Vladimir Putin e governantes europeus reforçam a busca por respostas coordenadas a desafios globais complexos.
Analistas internacionais destacam que o movimento de Lula, ao conversar diretamente com diferentes centros de poder, sinaliza não apenas uma tentativa de posicionar o Brasil como mediador em crises, mas também de consolidar um papel de protagonismo político e diplomático do país no chamado Sul Global — um grupo de países emergentes que reivindicam maior voz nas tomadas de decisão globais e reformas nas instituições multilaterais tradicionais.
Enquanto o governo brasileiro navega entre alianças estratégicas e críticas a iniciativas consideradas ameaçadoras ao sistema multilateral, a diplomacia de Lula promete manter alta a intensidade nos próximos meses, período em que também estão previstas viagens a Washington, Nova Délhi e Seul para aprofundar o diálogo com potências centrais em questões econômicas e políticas globais.
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