Operações migratórias em Minneapolis reacendem trauma histórico e levantam alertas sobre direitos civis nos EUA

Ações intensificadas de agentes federais de imigração em Minneapolis provocaram mobilização da comunidade somali-americana, denúncias de excessos e temores de uso político da fiscalização migratória em um ano marcado por disputas eleitorais nos Estados Unidos.

Janeiro 24, 2026 - 16:25
Janeiro 24, 2026 - 16:28
Operações migratórias em Minneapolis reacendem trauma histórico e levantam alertas sobre direitos civis nos EUA
by Reuters

Operações migratórias em Minneapolis reacendem trauma histórico e levantam alertas sobre direitos civis nos EUA

Uma série de operações conduzidas por agentes federais de imigração em Minneapolis provocou forte reação de comunidades imigrantes, especialmente entre somali-americanos, que relatam medo, insegurança e a sensação de estarem sendo alvos específicos de uma ofensiva governamental. As ações, descritas como mais agressivas do que o padrão habitual, ocorrem em um contexto político sensível, às vésperas de eleições legislativas que podem redefinir o equilíbrio de poder em Washington.

Desde o início das operações, moradores relatam batidas em residências, abordagens inesperadas e presença constante de agentes em bairros de maioria imigrante. Em resposta, líderes comunitários e voluntários organizaram redes informais de apoio para orientar famílias, registrar denúncias e oferecer assistência jurídica emergencial. Entre eles está Kowsar Mohamed, que passou a percorrer casas, atender chamadas durante a madrugada e coordenar esforços para alertar moradores sobre seus direitos.

Para muitos integrantes da comunidade somali, as operações despertaram lembranças dolorosas de experiências passadas com vigilância estatal e abuso de autoridade — realidades que acreditavam ter deixado para trás ao buscar refúgio nos Estados Unidos. O sentimento predominante, segundo relatos, é de que o medo voltou a fazer parte do cotidiano, afetando rotinas básicas como ir ao trabalho, levar crianças à escola ou buscar atendimento médico.

Organizações de defesa dos direitos civis afirmam ter recebido denúncias de abordagens consideradas excessivas, incluindo detenções sem explicações claras e ações que teriam extrapolado limites legais. Embora autoridades federais defendam que as operações seguem a legislação vigente, críticos questionam o momento e a forma como estão sendo conduzidas, apontando possíveis motivações políticas.

Especialistas em política migratória observam que ações desse tipo tendem a se intensificar em períodos eleitorais, quando o tema da imigração ganha destaque no discurso público. Para eles, a adoção de medidas ostensivas pode servir tanto para sinalizar rigor a determinados segmentos do eleitorado quanto para desestimular a participação cívica de comunidades historicamente marginalizadas.

Lideranças locais também alertam para o impacto psicológico e social dessas operações. O clima de apreensão, afirmam, enfraquece laços comunitários e dificulta a cooperação entre imigrantes e autoridades locais, inclusive em áreas como segurança pública e saúde.

Enquanto o debate nacional sobre imigração volta a se acirrar, o caso de Minneapolis expõe as tensões entre fiscalização federal, direitos civis e o uso político de políticas migratórias. Para as comunidades afetadas, a principal reivindicação é clara: garantir que a aplicação da lei não se transforme em instrumento de intimidação nem comprometa os valores democráticos que sustentam o país.

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