Parlamento Europeu decide judicializar acordo entre União Europeia e Mercosul

Em decisão que amplia o impasse político e comercial, o Parlamento Europeu aprovou a iniciativa de submeter o acordo entre a União Europeia e o Mercosul à análise da Justiça, abrindo um novo capítulo de incertezas para o tratado.

Janeiro 21, 2026 - 18:47
Parlamento Europeu decide judicializar acordo entre União Europeia e Mercosul
by Reuters

Parlamento Europeu decide judicializar acordo entre União Europeia e Mercosul

O Parlamento Europeu deu um passo decisivo que pode redefinir o futuro do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Em votação realizada nesta semana, os eurodeputados aprovaram a iniciativa de levar o tratado à esfera judicial, ampliando um impasse que já se arrasta há anos e adicionando novos elementos de incerteza ao processo de ratificação.

A decisão reflete as profundas divisões internas dentro do bloco europeu sobre os impactos econômicos, ambientais e sociais do acordo firmado, em princípio, entre a UE e os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Parlamentares críticos argumentam que o texto atual não oferece garantias suficientes em áreas sensíveis, como proteção ambiental, direitos trabalhistas e salvaguardas para setores agrícolas europeus.

Com a aprovação da medida, o Parlamento busca que instâncias jurídicas europeias avaliem a compatibilidade do acordo com os tratados fundadores da União Europeia e com legislações ambientais e comerciais vigentes. Na prática, o movimento pode atrasar ainda mais a entrada em vigor do tratado, mesmo após anos de negociações técnicas e diplomáticas entre os dois blocos.

Defensores da judicialização sustentam que o recurso à Justiça é uma forma de trazer segurança jurídica e transparência ao processo. Segundo eles, a análise judicial permitiria esclarecer dúvidas sobre cláusulas controversas e evitar futuros conflitos legais entre Estados-membros, produtores locais e instituições europeias. O grupo também ressalta a pressão crescente da sociedade civil e de organizações ambientais, que veem no acordo riscos de estímulo ao desmatamento e à concorrência considerada desleal.

Por outro lado, setores favoráveis ao tratado veem a decisão como um revés estratégico para a política comercial da UE. Representantes da indústria e do agronegócio alertam que a demora pode enfraquecer a posição europeia em um cenário global cada vez mais competitivo, além de abrir espaço para que países do Mercosul aprofundem relações comerciais com outros parceiros, como China e Estados Unidos.

Nos países sul-americanos, a reação é de cautela. Governos e entidades empresariais acompanham o desdobramento com preocupação, temendo que o processo judicial se transforme em um bloqueio definitivo ao acordo. O tratado é visto, especialmente no Brasil e na Argentina, como uma oportunidade de ampliar exportações e atrair investimentos europeus.

A judicialização do acordo UE-Mercosul expõe, mais uma vez, as tensões entre ambições comerciais e compromissos ambientais e sociais no cenário internacional. Enquanto o tema avança para os tribunais, o futuro de um dos maiores acordos comerciais do mundo permanece em suspenso, à espera de uma definição que pode levar anos para se concretizar.

Qual é sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow