Cresce pressão bipartidária nos EUA e isola Kristi Noem conhecida como a baby do Ice a após crise no comando da imigração
A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, enfrenta uma onda inédita de críticas que ultrapassa divisões partidárias. Republicanos e democratas passaram a defender publicamente sua saída do cargo, em meio a controvérsias envolvendo a atuação do ICE e a condução da política migratória. O episódio aprofunda tensões no governo e expõe fissuras internas no Partido Republicano.
A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, tornou-se o centro de uma rara convergência política em Washington. Parlamentares republicanos passaram a se unir a democratas para pedir sua saída do cargo, em meio a uma escalada de críticas à condução das políticas migratórias e ao comando do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
Conhecida por sua postura rígida em relação à imigração e por sua presença midiática marcante — que lhe rendeu o apelido informal de “Barbie do ICE” entre críticos — Noem vinha sendo tratada como um dos nomes fortes da ala mais dura do governo. No entanto, recentes episódios envolvendo operações do ICE, denúncias de excessos e falhas administrativas minaram seu apoio até mesmo entre aliados históricos.
Republicanos moderados passaram a expressar desconforto com o que classificam como uma gestão “mais focada em retórica do que em resultados concretos”. Nos bastidores do Congresso, cresce a avaliação de que a atual liderança do Departamento de Segurança Interna se tornou um fator de desgaste político desnecessário em um tema já altamente sensível para o eleitorado norte-americano.
Do lado democrata, as críticas se concentram no impacto humanitário das ações do ICE e na falta de transparência em decisões estratégicas. Para esse grupo, a permanência de Noem simboliza a continuidade de uma política migratória considerada agressiva e pouco eficaz, além de aprofundar a polarização social em torno do tema.
A pressão ganhou força após declarações públicas de parlamentares dos dois partidos defendendo mudanças na liderança do departamento. Embora os pedidos de demissão ainda não representem um processo formal de afastamento, analistas apontam que o isolamento político da secretária é um sinal claro de enfraquecimento dentro do próprio governo.
Especialistas em política americana destacam que críticas bipartidárias a membros do alto escalão são incomuns no atual ambiente político dos Estados Unidos, marcado por forte polarização. “Quando republicanos e democratas começam a falar a mesma língua, é porque a situação chegou a um ponto crítico”, avalia um cientista político ouvido por veículos locais.
Até o momento, Kristi Noem não sinalizou intenção de deixar o cargo e aliados próximos afirmam que ela segue contando com apoio do núcleo duro do governo. Ainda assim, a pressão pública e o desgaste no Congresso podem limitar sua capacidade de avançar pautas e conduzir reformas dentro do Departamento de Segurança Interna.
O episódio revela não apenas a fragilidade da posição de Noem, mas também o grau de tensão que envolve a política migratória nos Estados Unidos. Com eleições no horizonte e a imigração ocupando lugar central no debate nacional, o futuro da secretária passou a ser visto como um teste da capacidade do governo de conter crises internas e preservar unidade política.
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