Senado dos EUA Bloqueia Resolução que Limitava Poderes Militares de Trump na Venezuela em Votação Histórica
Em uma reviravolta política acirrada, o Senado dos Estados Unidos rejeitou uma resolução que teria impedido o presidente Donald Trump de conduzir novas ações militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso. A derrota por 51 a 50, decidida com o voto decisivo do vice-presidente J.D. Vance, expõe divisões internas no Partido Republicano e acende alertas sobre a ampliação da atuação militar americana na região.
O Senado dos Estados Unidos derrubou nesta quarta-feira (14) uma proposta que visava limitar os poderes militares do presidente Donald Trump em relação à Venezuela, marcando uma vitória significativa para a Casa Branca e redefinindo o debate sobre autoridade executiva e controle legislativo sobre o uso da força no exterior.
Em uma votação apertada de 51 votos a 50, a resolução que exigiria que o presidente buscasse autorização prévia do Congresso antes de ordenar novas ações militares foi bloqueada após uma manobra republicana e o voto de desempate do vice-presidente J.D. Vance, que quebrou o empate a favor da liderança do partido de Trump no Senado.
Origem da Proposta e Apoios Iniciais
A resolução havia avançado na semana anterior graças ao apoio bipartidário — com todos os democratas mais cinco senadores republicanos — em uma votação preliminar para retomar o controle do Legislativo sobre decisões de guerra e paz, numa crítica explícita à recente política externa americana.
Senadores como Rand Paul (Kentucky), Susan Collins (Maine) e Lisa Murkowski (Alasca) uniram-se aos democratas para avançar a proposta, argumentando que o Congresso deve ser consultado antes de quaisquer ações militares adicionais que possam arrastar os EUA para conflitos prolongados.
Pressão e Reversão de Votos
Nos dias que antecederam a votação final, a Casa Branca intensificou sua pressão sobre os senadores republicanos que haviam apoiado a iniciativa, promovendo conversas diretas e garantindo que o presidente manteria papel central nas decisões de política externa.
O resultado foi a reversão de dois dos cinco republicanos que originalmente apoiaram a resolução — Josh Hawley (Missouri) e Todd Young (Indiana) — criando um impasse de 50 a 50 que abriu caminho para o voto decisivo de Vance.
Em meio às negociações, líderes republicanos asseguraram que não há tropas americanas atualmente na Venezuela e que qualquer ação futura envolvendo “grandes operações militares” seria comunicada ao Congresso com antecedência, justificativas usadas para persuadir a reversão de votos.
Significado Político e Controvérsia
A rejeição da resolução representa uma derrota para legisladores preocupados com o expandido uso dos poderes executivos em assuntos de guerra, reacendendo debates constitucionais sobre quem deve controlar decisões de segurança nacional.
O episódio ocorre em meio a uma escalada de tensões na América Latina, após operações militares americanas recentes contra o governo venezuelano que resultaram em críticas intensas de aliados democráticos e de grupos que defendem maior supervisão do Congresso sobre ações militares no exterior.
Democratas, por sua vez, condenaram a derrota como uma decisão que “embarca os Estados Unidos em um caminho perigoso”, ao passo que republicanos que se mantiveram fiéis ao presidente celebraram a preservação da autoridade executiva em política externa.
Impactos e Próximos Passos
Analistas políticos avaliam que a votação pode ter ramificações eleitorais e estratégicas profundas, reforçando o controle de Trump sobre o Partido Republicano e sinalizando que o Congresso pode enfrentar dificuldades em conter iniciativas presidenciais em questões de segurança e intervenção militar.
Enquanto isso, o debate sobre restrições aos poderes de guerra no Congresso deve continuar, com líderes legislativos prometendo revisitar medidas semelhantes e ampliar discussões sobre limites constitucionais, transparência e responsabilidade nos conflitos internacionais.
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