Após noite de bombas, Zelensky desembarca nos EUA e pressiona Trump por acordo que pode mudar a guerra
Sob o som ainda recente de explosões e sirenes em Kiev, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, desembarcou neste domingo (28) na Flórida para um encontro de alto risco com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião, marcada para as 15h (horário de Brasília), acontece em um dos momentos mais tensos do conflito desde o início do ano e pode representar uma virada histórica — ou um novo impasse — na guerra que já dura mais de dois anos.
A viagem ocorre apenas um dia após a Rússia lançar um ataque massivo contra a capital ucraniana e outras regiões estratégicas do país. Mísseis balísticos e enxames de drones cruzaram o céu durante a madrugada, atingindo áreas residenciais e infraestrutura crítica. Segundo autoridades ucranianas, ao menos uma pessoa morreu e outras 27 ficaram feridas, reacendendo o clima de urgência e desespero no país.
Diplomacia sob fogo cruzado
Zelensky chega aos Estados Unidos pressionado pelo campo de batalha e pelo desgaste político. O líder ucraniano busca garantias claras de apoio americano, mas também tenta abrir espaço para um possível acordo de paz — algo que Trump afirma publicamente desejar, mas cujos termos ainda geram desconfiança em Kiev e entre aliados europeus.
Nos bastidores, o encontro é visto como decisivo. Trump tem adotado um discurso cada vez mais crítico aos custos da guerra para os Estados Unidos e já sinalizou que pretende “encerrar o conflito rapidamente”, sem detalhar como. Para Zelensky, o desafio é evitar qualquer negociação que possa significar perda territorial ou enfraquecimento da soberania ucraniana.
Rússia intensifica ataques e envia recado
A ofensiva russa na véspera da reunião não passou despercebida. Analistas internacionais interpretam os bombardeios como um recado direto de Moscou: a Rússia não pretende negociar sob pressão externa e mantém capacidade de ataque mesmo diante de articulações diplomáticas de alto nível.
Kiev voltou a ser alvo principal, mas regiões do leste e do sul do país também registraram explosões. O ataque aumentou o temor entre civis e reforçou a narrativa de Zelensky de que qualquer acordo precisa incluir garantias reais de segurança — e não apenas promessas políticas.
Trump no centro do tabuleiro global
Para Trump, o encontro é mais do que diplomacia internacional. Ele se coloca novamente como protagonista no cenário global, defendendo uma postura de força e pragmatismo. A reunião com Zelensky será observada de perto por aliados da OTAN, pela Rússia e pelo próprio eleitorado americano.
Uma decisão precipitada pode agradar parte da base que deseja o fim do envolvimento dos EUA no conflito, mas também pode gerar forte reação internacional caso a Ucrânia se sinta pressionada a aceitar concessões consideradas inaceitáveis.
Um encontro que pode entrar para a história
Com bombas ainda caindo na Ucrânia e negociações ocorrendo a portas fechadas na Flórida, o encontro entre Zelensky e Trump carrega um peso histórico. Dele pode sair um novo caminho para a paz — ou a confirmação de que o conflito seguirá sem solução no curto prazo.
O mundo observa. Para a Ucrânia, o relógio corre contra o tempo. Para Trump, a reunião é uma chance de provar que pode influenciar o maior conflito da atualidade. E para a Rússia, cada movimento diplomático é acompanhado com atenção militar.
As próximas horas podem definir não apenas o rumo da guerra, mas também o equilíbrio geopolítico global nos próximos anos.