Zuckerberg recua no metaverso e Wall Street vibra com corte bilionário no projeto
A Meta surpreende o mercado ao sinalizar uma forte redução nos investimentos do metaverso, provocando uma alta imediata de 7% nas ações e apontando para um possível abandono da visão futurista de Mark Zuckerberg.
A Meta, empresa controlada por Mark Zuckerberg, provocou nesta quinta-feira (4) uma das reações mais expressivas do mercado financeiro no início do ano. As ações da companhia avançaram cerca de 7% nas primeiras horas do pregão após um relatório da Bloomberg revelar que a empresa estaria preparando um corte substancial no orçamento destinado ao metaverso — projeto que, até então, representava o centro da estratégia corporativa de longo prazo.
A informação, atribuída a fontes internas familiarizadas com as discussões, indica que a Meta estaria reavaliando o ritmo e a dimensão dos investimentos na divisão Reality Labs, responsável pelo desenvolvimento de tecnologias de realidade virtual (VR) e aumentada (AR). A área vem acumulando prejuízos bilionários consecutivos desde 2021 e se tornou alvo frequente de críticas de analistas e acionistas, que apontam falta de retorno e baixa adesão por parte do público consumidor.
Pressão do mercado e mudança de curso
Ao longo dos últimos anos, Zuckerberg sustentou que o metaverso seria “a próxima grande plataforma de computação”, chegando a promover uma reformulação de marca que mudou o nome Facebook para Meta. Entretanto, o entusiasmo não se traduziu em números: a venda de dispositivos VR permaneceu aquém das projeções e o desenvolvimento de ambientes virtuais gerou custos crescentes sem perspectivas concretas de receita.
Com as condições macroeconômicas tornando o capital mais caro e o mercado priorizando eficiência, a disposição de Wall Street para financiar visões futuristas diminuiu. Nesse cenário, os cortes sugeridos pela Bloomberg foram recebidos como um sinal de pragmatismo — e como a admissão, ainda que indireta, de que o projeto não alcançou a maturidade esperada.
“A realidade é que o metaverso não vingou no ritmo que Zuckerberg previa, e o mercado sempre olhou isso com desconfiança”, afirma um analista ouvido por nossa reportagem. “A reorientação para áreas mais lucrativas é vista como alívio pelos investidores.”
O fator inteligência artificial
Além da pressão financeira, outro vetor influencia essa mudança: a competição acirrada pela liderança em inteligência artificial. A Meta é uma das empresas que mais investem em modelos de IA, e o foco crescente no setor deve disputar orçamento com o Reality Labs.
Nos últimos meses, a companhia tem apresentado avanços no desenvolvimento de modelos generativos, sistemas de recomendação e infraestrutura computacional. Esse movimento reforça a percepção de que a IA, e não mais o metaverso, assumiu prioridade na agenda estratégica de Zuckerberg.
“É um reposicionamento inevitável”, avalia a pesquisadora e especialista em indústria digital, Carla Noronha. “O retorno em IA é mais rápido, mais previsível e tem impacto direto nos produtos já consolidados, como Instagram, WhatsApp e Facebook.”
Sinal de recuo — ou apenas ajuste?
Apesar da interpretação dominante no mercado, ainda não está claro se o corte representa uma desistência definitiva do metaverso ou apenas uma mudança de velocidade. Historicamente, Zuckerberg tem demonstrado resistência a recuar de projetos de longo prazo, mesmo sob forte pressão externa.
Executivos da Meta teriam indicado que o Reality Labs continuará existindo e desenvolvendo hardware, mas dentro de um escopo mais “racionalizado”, segundo o relatório. Isso inclui reduzir etapas de pesquisa experimental e focar em produtos com maior potencial de adoção em médio prazo.
Wall Street reage com entusiasmo
Independentemente das nuances internas, a mensagem que o mercado recebeu foi clara. A disparada das ações reflete a confiança renovada na Meta como empresa mais enxuta, focada e alinhada com demandas reais de monetização.
A leitura dos investidores é que a Meta finalmente se distancia de uma aposta especulativa para retomar o terreno que domina: redes sociais, publicidade digital e — mais recentemente — inteligência artificial aplicada ao consumo e ao trabalho.
O que esperar agora
A possível reconfiguração do metaverso abre uma nova fase para a empresa. Analistas acreditam que os próximos balanços serão decisivos para determinar se a estratégia da Meta se consolidará como um giro completo em direção à IA ou apenas como uma pausa estratégica.
Seja como for, o episódio reforça a crescente influência de Wall Street sobre decisões de empresas de tecnologia e evidencia o desafio de conciliar visões ambiciosas com o imediatismo do mercado.
Por enquanto, os investidores parecem satisfeitos — e Zuckerberg, mesmo sem admitir publicamente o recuo, dá o sinal que o mercado queria ouvir: cautela, foco e resultados.
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