Brasileiras denunciam explosão de xenofobia na Europa em meio ao avanço da extrema direita
Três brasileiras que vivem em Portugal, Alemanha e Irlanda expõem nas redes episódios de xenofobia que sofreram, refletindo o clima hostil impulsionado pelo crescimento de discursos anti-imigração na Europa. Apesar das agressões, elas afirmam também ter recebido apoio de moradores locais.
“Vá pra sua terra”: brasileiras relatam onda de xenofobia na Europa e expõem agressões nas redes
À medida que discursos anti-imigração ganham força no continente europeu, brasileiras vivendo em diferentes países denunciam um aumento preocupante de casos de xenofobia. Episódios recentemente publicados nas redes sociais expuseram ataques verbais, humilhações e situações de violência psicológica vividas por imigrantes do Brasil — um retrato cada vez mais comum em países onde a extrema direita avança e endurece o debate público sobre fronteiras e identidade nacional.
O g1 conversou com três vítimas que decidiram tornar público aquilo que, por anos, muitas pessoas sofreram em silêncio: Yara Freitas, que vive em Portugal; Sabrina Vitali, residente na Alemanha; e Lays Mendes, que mora na Irlanda.
“Não quero escutar sua língua”: insultos e constrangimentos se multiplicam
Yara, que vive em Portugal há anos, contou ter sido abordada na rua por um homem que gritou: “Vá pra sua terra!”. Segundo ela, o ataque veio do nada — e foi mais um dos diversos episódios de hostilidade que testemunhou recentemente. Ao compartilhar o vídeo do momento nas redes, Yara recebeu milhares de mensagens de apoio de portugueses que repudiaram a agressão.
Na Alemanha, Sabrina relata que um desconhecido se irritou simplesmente ao ouvi-la falar português. “Não quero escutar sua língua!”, gritou o agressor antes de deixar o local. Sabrina, que já mora no país há um bom tempo, afirmou que percebia um ambiente mais receptivo no passado, mas notou uma mudança de tom nos últimos meses, acompanhada por discussões políticas mais extremas.
Irlanda: preconceito cresce, mas apoio da população reacende esperança
Morando há oito anos na Irlanda com o marido e os filhos, Lays Mendes disse que nunca havia sentido o preconceito tão forte quanto agora. Depois de expor nas redes um episódio de xenofobia que sofreu, Lays ganhou as manchetes da imprensa local — e, logo em seguida, foi surpreendida pela reação da comunidade: várias famílias irlandesas a procuraram pessoalmente para oferecer apoio e solidariedade.
“É como se duas Irlandas existissem”, desabafou. “A que repete discursos hostis e a que estende a mão.”
Extrema direita cresce — e o medo também
Especialistas observam que a hostilidade contra imigrantes cresce paralelamente ao avanço de partidos ultranacionalistas em diferentes países europeus. A retórica inflamada migra com facilidade para as ruas e para as redes sociais, onde episódios de xenofobia viralizam com cada vez mais frequência.
Organizações de direitos humanos alertam que ataques verbais podem evoluir para agressões físicas — e que reconhecer, denunciar e expor esses casos é essencial para combater o problema.
Vítimas transformam dor em denúncia pública
As três brasileiras afirmam que decidiram tornar seus casos públicos para encorajar outros imigrantes a denunciar e quebrar o silêncio. Elas também insistem que, apesar das agressões, a maior parte dos europeus com quem convivem demonstra respeito, acolhimento e empatia.
“Não é sobre odiar um país ou uma cultura”, resume Sabrina. “É sobre querer viver sem medo.”
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