China reage às ameaças dos EUA e anuncia maior coordenação estratégica com a Rússia em novo tabuleiro global

Um dia após os Estados Unidos divulgarem uma nova Estratégia de Defesa que prioriza conter a influência de Pequim e Moscou no Hemisfério Ocidental, a China anunciou que ampliará sua coordenação estratégica com a Rússia para enfrentar “riscos crescentes”. O movimento sinaliza um aprofundamento do eixo sino-russo em meio à escalada das disputas geopolíticas globais.

Janeiro 27, 2026 - 12:43
Janeiro 27, 2026 - 12:47
China reage às ameaças dos EUA e anuncia maior coordenação estratégica com a Rússia em novo tabuleiro global
by Reuters

A China anunciou que irá intensificar sua “coordenação estratégica” com a Rússia como forma de responder a riscos globais crescentes, em um movimento que amplia a percepção de polarização no cenário internacional. A declaração foi feita um dia após os Estados Unidos divulgarem sua nova Estratégia Nacional de Defesa, documento que aponta explicitamente a contenção da influência chinesa e russa como um dos principais objetivos da política de segurança americana.

Em comunicado oficial, autoridades chinesas afirmaram que Pequim e Moscou compartilham interesses estratégicos comuns e que a cooperação entre os dois países será aprofundada diante de um ambiente internacional considerado cada vez mais instável. O discurso reforça a narrativa chinesa de oposição ao que classifica como políticas de contenção e hegemonia promovidas por Washington.

A reação ocorre em um contexto de endurecimento do tom dos Estados Unidos, que passaram a tratar a presença política, econômica e militar de China e Rússia no Hemisfério Ocidental como uma ameaça direta à sua segurança nacional. A nova estratégia americana menciona a necessidade de barrar a atuação dos dois países em regiões que vão da Groenlândia à América do Sul, ampliando o alcance geográfico da disputa.

Analistas internacionais avaliam que a resposta chinesa busca demonstrar unidade com Moscou diante da pressão ocidental. Embora China e Rússia não mantenham uma aliança militar formal nos moldes da Guerra Fria, a parceria estratégica entre os dois países tem se aprofundado nos últimos anos, envolvendo cooperação energética, militar, diplomática e comercial.

Ao mesmo tempo em que reforça os laços com a Rússia, Pequim também tem adotado uma estratégia diplomática mais ativa na Europa. Autoridades chinesas vêm intensificando contatos com países europeus, buscando apresentar-se como um ator estável e disposto ao diálogo, em contraste com o discurso de confronto que marca as relações sino-americanas.

Especialistas apontam que essa dupla movimentação — fortalecimento do eixo com Moscou e aproximação seletiva com a Europa — reflete uma tentativa da China de ampliar seu espaço de manobra no cenário global. A estratégia permitiria reduzir o isolamento internacional e criar contrapesos à influência dos Estados Unidos e de seus aliados tradicionais.

Do lado russo, o aprofundamento da coordenação com a China é visto como essencial em meio às sanções econômicas e ao isolamento imposto por países ocidentais. Moscou tem enfatizado parcerias fora do eixo euro-atlântico como forma de manter relevância econômica e política no sistema internacional.

A escalada retórica entre as grandes potências aumenta as preocupações sobre uma possível fragmentação da ordem global, com impactos diretos no comércio, na segurança e na diplomacia multilateral. Para observadores, o momento atual marca uma transição para um cenário de competição estratégica prolongada, no qual alianças flexíveis e disputas por influência tendem a se intensificar.

Enquanto Washington reforça sua postura de contenção, Pequim e Moscou sinalizam que responderão de forma coordenada. O resultado desse embate de estratégias ainda é incerto, mas especialistas concordam que ele moldará as relações internacionais nas próximas décadas.

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