Corte global na Amazon atinge 16 mil funcionários e gera temor no Brasil: “Clima é de insegurança total”
A Amazon anunciou uma nova rodada de demissões que atinge cerca de 16 mil funcionários em todo o mundo, incluindo equipes no Brasil. A medida, segundo a empresa, busca reduzir burocracias e tornar a operação mais eficiente, mas relatos de ex-funcionários revelam um ambiente de medo, surpresa e incerteza. O movimento reforça o cenário de ajustes profundos nas grandes empresas de tecnologia.
A Amazon promoveu, na última quarta-feira (28), uma nova onda de demissões que afetou aproximadamente 16 mil funcionários ao redor do mundo, marcando a segunda rodada de cortes desde outubro de 2025. Embora a empresa não tenha divulgado números detalhados por país, o impacto chegou ao Brasil e reacendeu preocupações sobre a estabilidade do setor de tecnologia, que vive um ciclo prolongado de reestruturações.
Segundo comunicado oficial, a decisão faz parte de um esforço para eliminar camadas excessivas de burocracia e tornar a companhia mais ágil em um cenário econômico global mais desafiador. A Amazon afirma que a medida busca simplificar processos, reduzir custos operacionais e direcionar investimentos para áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, computação em nuvem e automação logística.
Na prática, porém, o anúncio gerou apreensão entre funcionários e ex-funcionários. No Brasil, profissionais desligados relatam que o corte foi repentino e pouco transparente. “Foi assustador. A sensação é de que ninguém está realmente seguro, mesmo quem entrega resultados”, afirmou um ex-funcionário que atuava em uma área corporativa da empresa e preferiu não se identificar.
Os cortes atingiram diferentes setores, incluindo áreas administrativas, tecnologia e operações de suporte. Fontes internas indicam que a prioridade foi reduzir cargos intermediários, especialmente funções gerenciais, em linha com a estratégia global da empresa de “enxugar” estruturas consideradas redundantes.
Especialistas avaliam que o movimento da Amazon reflete uma mudança mais ampla no setor de tecnologia, que deixou para trás o período de crescimento acelerado impulsionado pela pandemia. Com a desaceleração da economia global, juros mais altos e pressão por rentabilidade, gigantes do setor passaram a revisar seus quadros e a exigir maior eficiência das equipes remanescentes.
No Brasil, onde a Amazon mantém operações relevantes em logística, comércio eletrônico e serviços de nuvem, o impacto psicológico das demissões é significativo. Funcionários relatam aumento da carga de trabalho, maior cobrança por desempenho e incerteza sobre novos cortes. “O discurso é de eficiência, mas o clima interno fica pesado. Todo mundo trabalha com medo”, relatou outro profissional ligado à empresa.
Analistas de mercado observam que, apesar dos cortes, a Amazon segue financeiramente sólida, o que reforça a percepção de que as demissões fazem parte de uma estratégia preventiva e não de uma crise imediata. Ainda assim, o efeito social e econômico das dispensas é relevante, especialmente em países emergentes, onde vagas no setor de tecnologia são altamente disputadas.
A nova rodada de desligamentos sinaliza que o ciclo de ajustes nas big techs ainda está longe do fim. Para trabalhadores do setor, o episódio serve como alerta sobre a volatilidade do mercado e a necessidade de adaptação constante. Para a Amazon, o desafio será equilibrar eficiência operacional com a manutenção de talentos em um ambiente cada vez mais competitivo.
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