Justiça argentina inicia julgamento para decidir se 44 mortes no submarino ARA San Juan eram 'evitáveis'; processo apura falhas na Marinha após 8 anos da tragédia

Oito anos após o desaparecimento e implosão do submarino ARA San Juan, que matou 44 tripulantes em 2017, começa em Río Gallegos o julgamento oral contra quatro ex-oficiais da Marinha argentina. Querella afirma que mortes eram evitáveis por falhas de manutenção e decisões operacionais; MP chama implosão de "desfecho previsível". Processo pode durar até julho. Relembre o caso no K13 News.

Março 3, 2026 - 19:56
Março 3, 2026 - 20:02
Justiça argentina inicia julgamento para decidir se 44 mortes no submarino ARA San Juan eram 'evitáveis'; processo apura falhas na Marinha após 8 anos da tragédia
Foto: Walter Diaz / AFP
Justiça argentina inicia julgamento para decidir se 44 mortes no submarino ARA San Juan eram 'evitáveis'; processo apura falhas na Marinha após 8 anos da tragédiaPor Redator-Chefe K13 News – 03 de março de 2026O Tribunal Oral Federal de Río Gallegos (província de Santa Cruz) deu início nesta terça-feira (3) ao julgamento oral e público pelo naufrágio e implosão do submarino ARA San Juan, ocorrido em 15 de novembro de 2017 no Atlântico Sul. O processo busca determinar se as 44 mortes dos tripulantes — todos considerados sepultados em tumba eterna a 907 metros de profundidade — eram evitáveis, analisando responsabilidades penais de quatro ex-altos oficiais da Armada Argentina.Os acusados — incluindo o ex-comandante da Força de Submarinos, contra-almirante Claudio Villamil e outros três oficiais — respondem por crimes como incumprimento de deveres de funcionário público, omissão de deveres do ofício e estrago culposo agravado por resultado de morte. A promotoria argumentou na abertura que a implosão foi um "desfecho previsível" dada a condição precária do submarino, com falhas graves de manutenção, baterias defeituosas e decisões operacionais que permitiram sua saída em patrulha apesar de problemas conhecidos.A abogada Valeria Carreras, representante da querella de 34 famílias de vítimas, foi enfática: "Vamos demonstrar que estas mortes eram evitáveis. Os mandaram ao muere em um submarino que não estava em condições operativas de segurança". Ela apontou para a "cultura de silêncio" na Marinha, herança de tempos ditatoriais, e denunciou que o submarino saiu com infiltrações de água, problemas na bateria principal e sem reparos adequados. Familiares relatam que o último contato do ARA San Juan indicava falhas, mas a ordem foi para continuar a missão.O submarino desapareceu enquanto navegava de Ushuaia para Mar del Plata. Após um ano de buscas internacionais (incluindo ajuda de Rússia, EUA e Brasil), os destroços foram localizados em novembro de 2018 pela empresa Ocean Infinity, confirmando implosão catastrófica instantânea — a morte foi imediata pela pressão da água a mais de 900 metros. Nenhum corpo foi resgatado devido à profundidade e custo proibitivo.O julgamento, que deve se estender até julho de 2026 com audiências semanais alternadas e dezenas de testemunhas (incluindo peritos e sobreviventes de outras missões), não permite transmissão pública de imagens por se tratar de material militar sensível. Familiares esperam respostas sobre por que o submarino foi enviado em estado questionável e se houve negligência na cadeia de comando.O caso, uma das maiores tragédias navais argentinas em tempos de paz desde a Guerra das Malvinas, já gerou controvérsias anteriores: espionagem ilegal às famílias, absolvições parciais em instâncias inferiores e críticas à lentidão da justiça. A sentença pode trazer alívio ou nova dor às famílias que lutam por verdade e reparação.O K13 News acompanha o processo e reforça: tragédias evitáveis demandam responsabilidade. A memória dos 44 maridos, pais e filhos permanece viva.Compartilhe esta reportagem e comente: você acredita que a justiça argentina entregará respostas claras após oito anos?K13 News – Memória, justiça e verdade, sem esquecer as vítimas.

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