PIB cresce 2,3% em 2025 e desemprego atinge mínima histórica, mas famílias seguem endividadas e com renda insuficiente em 2026

Apesar do avanço de 2,3% no PIB em 2025 e taxa de desemprego em 5,6% (menor da série histórica), brasileiros enfrentam endividamento recorde (até 79,5% das famílias), crédito caro, inflação corroendo poder de compra e renda insuficiente para sustentar despesas. Desaceleração no consumo e juros altos explicam o paradoxo. Análise no K13 News.

Março 3, 2026 - 20:58
Março 3, 2026 - 21:04
PIB cresce 2,3% em 2025 e desemprego atinge mínima histórica, mas famílias seguem endividadas e com renda insuficiente em 2026
foto Uol
PIB cresce 2,3% em 2025 e desemprego atinge mínima histórica, mas famílias seguem endividadas e com renda insuficiente para gastosPor Redator-Chefe K13 News – 03 de março de 2026O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou nesta terça-feira (3) que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025, totalizando R$ 12,7 trilhões em valores correntes. O resultado representa o quinto ano consecutivo de expansão econômica, impulsionado principalmente pela agropecuária, extração de petróleo e gás, e serviços. No entanto, o crescimento desacelerou em relação aos 3,4% de 2024, com o quarto trimestre praticamente estável (+0,1%).Paralelamente, o mercado de trabalho registrou recordes positivos: a taxa média anual de desemprego caiu para 5,6% em 2025 (menor da série histórica iniciada em 2012), com o trimestre encerrado em dezembro marcando 5,1%. Em 19 estados e no Distrito Federal, o indicador atingiu mínimas históricas, refletindo criação de vagas formais e aumento do rendimento médio.Apesar desses indicadores macroeconômicos favoráveis, o dia a dia das famílias brasileiras revela um paradoxo: endividamento em níveis recordes, crédito caro e renda insuficiente para cobrir despesas essenciais. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o percentual de famílias endividadas atingiu 79,5% em janeiro de 2026 (recorde da série), igualando o pico de outubro de 2025 — alta de 3,4 pontos percentuais ante janeiro de 2025. O cartão de crédito lidera (85,1% das dívidas), seguido por carnês e crédito pessoal.A inadimplência também pressiona: o endividamento das famílias com o sistema financeiro chegou perto de 50% da renda anual (dados do BC), com projeções de alta para 80,4% até junho de 2026. O consumo das famílias, que impulsiona cerca de 60% do PIB, cresceu apenas 1,3% em 2025 — forte desaceleração ante os 5,1% de 2024 —, impactado por juros altos (Selic em patamares elevados para conter inflação) e poder de compra corroído.A inflação, embora menor que em anos anteriores, continuou a apertar o orçamento, especialmente para famílias de baixa renda. Itens essenciais como alimentos, energia e transporte subiram acima da média, limitando o ganho real da renda. Economistas como Silvia Matos (FGV Ibre) destacam que o rendimento médio aumentou, mas não o suficiente para compensar os custos crescentes, resultando em "dinheiro que aumenta, mas não dá para comprar nada".O cenário reflete desafios estruturais: desigualdade persistente (renda do 0,1% mais rico cresce mais rápido), juros contracionistas inibindo investimentos e consumo, e efeitos de programas sociais que sustentam parte da demanda, mas não resolvem o endividamento crônico. Analistas projetam desaceleração adicional em 2026, com carregamento estatístico baixo (0,4%) e risco de estagnação se os juros não caírem.O K13 News acompanha o debate: crescimento macro não chega igualmente ao bolso do brasileiro. Políticas de redução de juros, renegociação de dívidas e estímulo ao emprego de qualidade são apontadas como caminhos para equilibrar o quadro.Compartilhe esta reportagem e comente: você sente na prática essa melhora econômica ou o dia a dia continua apertado?K13 News – Dados oficiais, realidade do bolso: a economia que afeta você.

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