Influencer da saúde vira alvo da PF: médico com 750 mil seguidores é acusado de fabricar Mounjaro ilegal em mansão de luxo nos Jardins

A Polícia Federal cumpriu mandados contra um médico famoso nas redes sociais, suspeito de produzir e vender versões ilegais do Mounjaro, medicamento usado para perda de peso. Com mais de 750 mil seguidores e uma clínica instalada em uma mansão no bairro dos Jardins, em São Paulo, o profissional é investigado por esquema milionário envolvendo manipulação clandestina, falsificação e distribuição nacional.

Novembro 27, 2025 - 17:20
Influencer da saúde vira alvo da PF: médico com 750 mil seguidores é acusado de fabricar Mounjaro ilegal em mansão de luxo nos Jardins
Foto : Reproduçãoedes sociais

Médico celebridade investigado pela PF: produção clandestina de Mounjaro movimentava esquema milionário em mansão nos Jardins

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (27) uma operação que colocou sob holofotes um dos médicos mais populares das redes sociais no Brasil. Com mais de 750 mil seguidores e uma agenda cheia de influenciadores, empresários e pacientes de alto padrão, o profissional é acusado de fabricar clandestinamente versões ilegais de Mounjaro, medicamento usado para diabetes e amplamente procurado por seus efeitos de emagrecimento acelerado.

A investigação aponta que a produção ocorria em uma mansão luxuosa no bairro dos Jardins, área nobre de São Paulo, onde o médico mantinha uma clínica estética de alto padrão. Estima-se que o esquema movimentava quantias milionárias, alimentado por um mercado clandestino que cresce à sombra da popularização de medicamentos destinados ao controle de peso.

Mandados, apreensões e sala secreta de manipulação

Durante a operação, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão e localizaram frascos, substâncias não identificadas, etiquetas, carimbos e equipamentos compatíveis com laboratórios de manipulação. Segundo investigadores, uma sala escondida atrás de um painel eletrônico funcionava como laboratório improvisado.

Peritos avaliarão o material encontrado para determinar se o suposto medicamento fabricado continha substâncias controladas, componentes adulterados ou ingredientes não aprovados pela Anvisa.

Mounjaro: alta demanda, riscos reais e mercado paralelo

O Mounjaro, aprovado no Brasil para tratamento de diabetes tipo 2, tornou-se um dos medicamentos mais desejados por pessoas que buscam rápida perda de peso. A combinação de popularidade nas redes sociais e escassez do produto em farmácias abriu espaço para um mercado clandestino, que oferece versões adulteradas, reembaladas ou inteiramente falsificadas.

A PF afirma que o médico teria explorado essa lacuna, fornecendo um produto que se passava por Mounjaro a pacientes dispostos a pagar valores exorbitantes por resultados rápidos.

Especialistas alertam: versões falsificadas do medicamento podem causar intoxicação grave, reações alérgicas e até risco de morte.

Influência digital e marketing agressivo

Nas redes sociais, o médico se apresentava como especialista em emagrecimento, “medicina integrativa” e tratamentos de alta performance, acumulando milhares de visualizações em vídeos sobre controle de peso. Sua imagem pública combinava luxo, ciência e estética — um perfil que atraía seguidores e clientes de todo o país.

Segundo a investigação, porém, parte dessa popularidade teria sido usada para promover comercialização ilegal, com promessas de “resultados imediatos”, “versões exclusivas” e “protocolos proprietários”.

Pacientes relatam efeitos colaterais e resultados inconsistentes

Após a operação, começaram a surgir relatos de pacientes que afirmam ter usado o produto fornecido pela clínica. Alguns descrevem efeitos adversos intensos, como náuseas severas, taquicardia e desmaios. Outros afirmam que, apesar do preço elevado, o suposto Mounjaro não produzia os resultados divulgados.

Advogados de ex-pacientes já estudam ações civis por dano moral e estético, além de possível indenização por risco à saúde.

Defesa do médico nega adulteração, mas reconhece manipulação

Por meio de nota, a defesa do médico declarou que ele “jamais colocou seus pacientes em risco” e que os produtos manipulados seriam “formulações personalizadas permitidas pela legislação”. Afirmou ainda que irá “colaborar plenamente” com a PF.

A Anvisa, porém, reiterou que não há autorização para manipulação artesanal de Mounjaro, já que o medicamento possui tecnologia complexa e patenteada, tornando ilegal qualquer tentativa de reprodução.

Próximos passos: crime contra a saúde pública, falsificação e associação criminosa

A Polícia Federal investiga possíveis crimes de:

  • falsificação de medicamento;

  • crime contra a saúde pública;

  • exercício irregular da medicina farmacêutica;

  • lavagem de dinheiro;

  • associação criminosa.

Se condenado nas penas máximas, o médico pode enfrentar mais de 25 anos de prisão.

A operação segue em andamento, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias.

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