Mega- operação desmonta esquema que lavava dinheiro em combustíveis no Piauí, Maranhão e Tocantins”

Uma megaoperação conjunta das polícias estaduais e federais interditou quase 50 postos de combustíveis nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins, após investigações revelarem um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o grupo usava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para movimentar milhões de reais de forma ilícita. A ação resultou na apreensão de quatro aeronaves, carros de luxo e na prisão de empresários suspeitos de atuar como “laranjas” da facção.

Novembro 5, 2025 - 15:04
Novembro 5, 2025 - 15:10
Mega- operação desmonta esquema  que lavava dinheiro em combustíveis no Piauí, Maranhão e Tocantins”
conectapiaui

Teresina, 5 de novembro de 2025 — Uma investigação que durou mais de um ano resultou em uma das maiores operações de combate à lavagem de dinheiro já registradas no Norte e Nordeste do Brasil.
Batizada de “Operação Octano”, a ação conjunta entre as polícias civis do Piauí, Maranhão e Tocantins, com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público, interditou 47 postos de combustíveis e desmantelou um esquema milionário que, segundo as autoridades, financiava as atividades do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A operação, deflagrada nas primeiras horas da manhã, contou com mais de 300 agentes e cumprimento de 80 mandados de busca e apreensão em empresas e residências ligadas aos investigados.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o grupo utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para ocultar a origem ilícita de recursos provenientes do tráfico de drogas, extorsões e contrabando.

“Identificamos um sistema complexo e altamente profissionalizado. O crime organizado se infiltrou no setor de combustíveis, um dos mais lucrativos do país, para lavar dinheiro com aparência de legalidade”, afirmou o secretário de Segurança Pública do Piauí, José Ribamar Leal.


O esquema: do tráfico à bomba de combustível

Segundo as investigações, os líderes do esquema criaram redes de postos de combustíveis “fantasmas”, registrados em nome de laranjas e empresas de fachada.
Esses estabelecimentos, embora com aparência de normalidade, realizavam movimentações bancárias milionárias, incompatíveis com o volume de vendas real.

Parte do dinheiro era “esquentada” por meio de transações simuladas em fintechs, que emitiam notas fiscais falsas e criavam fundos de investimento de fachada. Em seguida, os valores eram reinvestidos em aeronaves, veículos de luxo, imóveis e até criptomoedas.

“Foi identificado um rastro de mais de R$ 500 milhões movimentados nos últimos 18 meses. Esse dinheiro abastecia operações do PCC em diferentes estados”, explicou a delegada Carla Menezes, coordenadora da operação.


Apreensões milionárias

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam quatro aeronaves, doze veículos de luxo — incluindo modelos avaliados em mais de R$ 700 mil —, além de relógios, joias, documentos contábeis e aparelhos eletrônicos.
Parte dos bens estava registrada em nome de empresas com sede em paraísos fiscais.

A operação também bloqueou R$ 120 milhões em contas bancárias vinculadas às empresas investigadas.

“O que impressiona é a sofisticação contábil. O grupo tinha consultores financeiros e advogados que criaram uma estrutura de lavagem comparável à de grandes organizações internacionais”, destacou o promotor Ricardo Bastos, do Ministério Público do Maranhão.


O elo com o PCC

A ligação do esquema com o Primeiro Comando da Capital foi confirmada segundo informacoes da policia a partir de interceptações telefônicas e cruzamento de dados bancários.
As investigações apontam que parte dos lucros dos postos era desviada para financiar o tráfico de drogas e a compra de armas, reforçando o caixa da facção em outros estados.

Segundo a polícia, o dinheiro era redistribuído por meio de “contas de passagem” e transferências criptografadas, dificultando o rastreamento.

“O PCC diversificou seus investimentos ilícitos. A entrada no setor de combustíveis mostra como a facção busca se infiltrar em setores legais para consolidar poder econômico”, afirmou o delegado federal Rogério Silva, especialista em crimes financeiros.


Repercussão e próximos passos

O Ministério da Justiça elogiou a integração entre os órgãos de segurança e afirmou que novas fases da operação devem ocorrer nos próximos meses.
Governadores dos três estados prometeram reforçar a fiscalização sobre o setor de combustíveis, considerado estratégico e historicamente vulnerável a práticas fraudulentas.

“Essa operação é um recado claro: não há espaço para o crime organizado travestido de empresário”, declarou o governador do Maranhão, Carlos Brandão, em coletiva.

A Justiça autorizou a intervenção temporária nos postos interditados, que permanecerão fechados até a conclusão das perícias contábeis e ambientais. As autoridades também investigam possível envolvimento de servidores públicos e fiscais na facilitação das fraudes.


Um retrato do novo crime financeiro

Especialistas apontam que o caso é um exemplo do novo perfil do crime organizado no Brasil — menos violento na superfície, mas muito mais sofisticado financeiramente.
A atuação em setores como energia, transporte e combustíveis é vista como uma estratégia para lavar grandes volumes de dinheiro de forma silenciosa.

“O crime não está mais apenas nas ruas, mas infiltrado nos escritórios, nas transações digitais e nos balanços empresariais. É o crime do século XXI”, analisa o criminólogo Eduardo Mota, da Universidade Federal do Tocantins.

Com a Operação Octano, o Brasil assiste a mais um capítulo da guerra silenciosa entre o Estado e o crime organizado financeiro.
A interdição dos 47 postos e a apreensão de bens de luxo revelam não apenas a força do PCC fora dos presídios, mas também os desafios crescentes de combater um inimigo que se reinventa dentro do próprio sistema econômico.

A investigação agora avança para identificar os mentores intelectuais do esquema — e, possivelmente, os elos políticos e empresariais que o tornaram possível.

Qual é sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow