“Bem-vindo a Portugal”: policiais de Lisboa são presos por tortura contra imigrantes e moradores de rua
Dois agentes da polícia de Lisboa foram presos sob acusação de torturar imigrantes e pessoas em situação de rua. Segundo a Promotoria, os abusos eram registrados em imagens e compartilhados em grupos de mensagens com outros policiais, acompanhados da frase “Bem-vindo a Portugal”.
Autoridades portuguesas abriram um inquérito contra dois policiais acusados de torturar imigrantes e pessoas em situação de rua, em um caso que expõe práticas de extrema violência e humilhação dentro das forças de segurança. As acusações vieram a público nesta sexta-feira (16) e provocaram forte comoção no país.
De acordo com documentos da investigação, os agentes teriam espancado um imigrante marroquino durante várias horas dentro de uma delegacia. Segundo a Promotoria, a vítima foi submetida a agressões físicas repetidas e forçada a beijar as botas dos policiais enquanto um deles gritava, em inglês: “Bem-vindo a Portugal!”. O episódio é descrito como um ato deliberado de tortura e degradação humana.
A investigação também aponta que os policiais registravam os abusos em imagens, posteriormente compartilhadas em um grupo de mensagens com outros agentes. Para os investigadores, a troca de material sugere não apenas a prática dos crimes, mas uma tentativa de normalização da violência dentro do ambiente policial.
Em sua manifestação oficial, a promotora Felismina Franco afirmou que as vítimas eram escolhidas de forma sistemática entre pessoas em condição de extrema vulnerabilidade. “As vítimas eram sistematicamente escolhidas entre pessoas particularmente vulneráveis, ou seja, sem-teto, fisicamente fracas, com dificuldades econômicas”, escreveu.
As autoridades avaliam que os crimes vão além de agressão física, podendo configurar tortura qualificada, abuso de poder e violação grave dos direitos humanos. O inquérito busca agora identificar se outros policiais participaram ou tiveram conhecimento dos atos sem denunciá-los.
O caso reacendeu o debate público em Portugal sobre violência policial, racismo e a proteção de imigrantes e pessoas em situação de rua. Organizações da sociedade civil cobraram transparência, responsabilização rigorosa e medidas estruturais para evitar novos episódios.
A polícia informou, por meio de nota, que colabora com as investigações e destacou que os comportamentos descritos não refletem os valores da instituição. O processo segue em andamento e pode resultar em acusações criminais formais, além de sanções disciplinares severas contra os envolvidos.
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