Vida Dupla Desmascarada: Como a Polícia Arrancou das Sombras o “Empresário” Apontado como Megatraficante da América do Sul

Discreto, bem-vestido e cercado de aparências de sucesso, Rodrigo Alvarenga Paredes se apresentava como herdeiro, fazendeiro e empresário. Para as autoridades, porém, ele comandava um império do tráfico internacional, responsável por enviar toneladas de cocaína à Europa. Preso desde 2023, sua queda revela bastidores de uma investigação silenciosa e milionária.

Dezembro 16, 2025 - 15:01
Dezembro 16, 2025 - 15:04
Vida Dupla Desmascarada: Como a Polícia Arrancou das Sombras o “Empresário” Apontado como Megatraficante da América do Sul

O homem que ninguém suspeitava — até a polícia ligar os pontos

Durante anos, ele passou despercebido. Sem ostentação exagerada, sem aparições midiáticas e longe do estereótipo clássico do narcotraficante. Rodrigo Alvarenga Paredes circulava entre empresários, produtores rurais e figuras influentes como mais um nome da elite regional. Mas, nos bastidores, investigadores afirmam que ele era uma peça central de um dos maiores esquemas de tráfico de cocaína da América do Sul.

Preso desde março de 2023, Alvarenga é acusado pelas autoridades de comandar uma organização criminosa responsável por enviar ao menos 11 toneladas de cocaína para a Europa, entre os anos de 2020 e 2022. Um volume que, segundo especialistas, movimentou cifras bilionárias e colocou seu nome no radar das principais agências de combate ao narcotráfico.

Empresário, fazendeiro, herdeiro — e algo mais

Publicamente, o discurso era outro. Alvarenga se apresentava como empresário bem-sucedido, fazendeiro e herdeiro de uma família tradicional. Nascido no Brasil e criado em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na fronteira conhecida tanto pelo comércio quanto pelo crime transnacional, ele vinha de um contexto social respeitável: filho de médico e neto de fazendeiro.

Essa origem ajudou a construir uma imagem sólida e discreta — exatamente o tipo de perfil que, segundo investigadores, facilita a movimentação de grandes volumes de dinheiro sem levantar suspeitas imediatas.

A fronteira que virou trampolim do crime

Pedro Juan Caballero é considerada um dos pontos mais sensíveis do continente quando o assunto é tráfico internacional. Foi ali que, segundo a polícia, Alvarenga teria estruturado sua base operacional, aproveitando rotas consolidadas, conexões logísticas e a proximidade entre Brasil e Paraguai.

A cocaína, de acordo com as investigações, seguia por rotas sofisticadas, escondida em cargas legais e transportada com o auxílio de intermediários e operadores financeiros. O destino final: portos europeus, onde a droga multiplicava seu valor.

A investigação silenciosa que levou à queda

A polícia agiu com cautela. Em vez de uma prisão espetaculosa imediata, optou por monitoramento prolongado, cruzamento de dados financeiros, escutas autorizadas e cooperação internacional. Cada movimentação era registrada. Cada elo, mapeado.

Segundo fontes da investigação, o objetivo era claro: não prender apenas o homem, mas desmontar a engrenagem inteira. Quando a prisão finalmente aconteceu, em 2023, o dossiê já estava robusto o suficiente para sustentar acusações de alto nível.

O fim da invisibilidade

A queda de Rodrigo Alvarenga Paredes expôs um padrão cada vez mais comum no crime organizado moderno: líderes que trocam a ostentação pelo anonimato estratégico, que preferem escritórios e fazendas a mansões chamativas, e que usam a aparência de legalidade como escudo.

Hoje, atrás das grades, o homem que viveu por anos longe dos holofotes é apontado como um dos maiores traficantes do continente. Um personagem que prova que, no submundo do narcotráfico, os mais perigosos nem sempre são os mais visíveis.

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