Ex‑âncora da CNN Don Lemon é preso em ação federal após protesto contra o ICE e seu advogado fala em ataque à Primeira Emenda
O jornalista e ex‑âncora da CNN Don Lemon foi detido por agentes federais em Los Angeles por sua participação em um protesto contra o Serviço de Imigração e Alfândegas dos EUA (ICE) em uma igreja de St. Paul, Minnesota. Lemon afirma que estava atuando como repórter, e sua defesa classifica a prisão como um ataque sem precedentes à liberdade de imprensa garantida pela Primeira Emenda da Constituição americana. A medida reacende o debate sobre limites da cobertura jornalística e o papel do governo federal em casos de protestos.
O jornalista e ex‑âncora da CNN Don Lemon foi preso na noite de quinta‑feira (29) em Los Angeles por agentes federais, em conexão com um protesto ocorrido semanas antes em uma igreja de St. Paul, Minnesota, que integrava uma mobilização contra o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), a agência de imigração e fiscalização dos Estados Unidos.
Lemon, que trabalhou por décadas em televisão nacional e agora atua como jornalista independente, estava em Los Angeles cobrindo os premiações do Grammy quando foi detido por autoridades federais, segundo seu advogado, Abbe Lowell.
O protesto em Minnesota, ocorrido em 18 de janeiro, envolveu manifestantes que interromperam um culto na Cities Church, alegando que um dos líderes religiosos tinha vínculos com o ICE. As ações de interrupção geraram tensão no local e atraíram atenção nacional, sobretudo por acontecer em um ambiente de culto religioso.
Autoridades federais afirmam que Lemon e outros manifestantes poderiam ter violado leis que protegem o acesso a locais de culto e os direitos civis de fiéis presentes durante a atividade religiosa. Não foram divulgados imediatamente detalhes específicos das acusações, mas a Procuradora‑Geral Pam Bondi autorizou a prisão de Lemon e três outras pessoas por suposto envolvimento em um “ataque coordenado” ao local religioso.
Em defesa pública veemente, o advogado de Lemon afirmou que o jornalista estava simplesmente cumprindo seu papel profissional ao cobrir os eventos, transmitindo imagens e entrevistas em tempo real de dentro da igreja. **“Don tem sido jornalista por 30 anos, e seu trabalho, protegido pela Constituição, em Minneapolis não foi diferente do que ele sempre fez”, declarou Lowell, classificando a prisão como um ataque sem precedentes à Primeira Emenda.
A Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos garante a liberdade de expressão e de imprensa, pilares considerados essenciais para o funcionamento da democracia americana. A defesa de Lemon argumenta que o caso levanta sérias questões sobre os limites entre cobertura jornalística e participação ativa em protestos, sobretudo quando o jornalista está registrando os acontecimentos.
O caso também teve reviravoltas judiciais recentes: uma tentativa anterior de acusar formalmente Lemon por um juiz de Minnesota foi rejeitada por falta de provas suficientes, complicando a estratégia do Departamento de Justiça e aumentando o escrutínio público sobre o uso de recursos federais para perseguir jornalistas que cobrem protestos.
A prisão de um nome tão conhecido no jornalismo americano — com longa carreira em um dos maiores canais de notícias do país — provocou reação imediata tanto de defensores da liberdade de imprensa quanto de críticos da atuação de Lemon em protestos políticos. Legisladores, especialistas em mídia e advogados de direitos civis observam o caso como um teste potencial dos limites legais para a atuação de jornalistas em eventos de grande tensão política e social.
À medida que o processo se desenrola, a detenção de Don Lemon reacende o debate sobre a proteção de repórteres em protestos, a aplicação de leis federais relacionadas a interrupção de serviços religiosos e a independência da imprensa frente às ações do governo.
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