Para alguns produtos como o milho Guerra no Oriente Médio não deve impactar exportações brasileiras
Por Redator-Chefe K13 News – 05 de março de 2026
Apesar da escalada do conflito no Oriente Médio, com a Guarda Revolucionária Islâmica anunciando “controle total” do Estreito de Ormuz, as exportações brasileiras de milho não devem sofrer interrupções significativas no curto e médio prazo. O Irã é o segundo maior comprador do grão brasileiro (atrás apenas da China), respondendo por cerca de 20% do volume exportado nos últimos anos, mas o pico das vendas ocorre justamente a partir de maio, com a colheita da segunda safra (safrinha) em pleno andamento.De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil embarcou cerca de 4,8 milhões de toneladas de milho para o Irã em 2025, volume que representa aproximadamente 18-22% do total exportado. No entanto, as remessas para o país persa concentram-se entre maio e novembro, período em que o milho brasileiro tem maior competitividade sazonal e as rotas marítimas estão menos pressionadas.Especialistas do setor ouvidos pelo K13 News destacam que, mesmo em cenário de bloqueio parcial ou total do Estreito de Ormuz, o milho brasileiro pode seguir rotas alternativas viáveis:
- Desvio pelo Cabo da Boa Esperança (África do Sul), aumentando o tempo de viagem em 10-15 dias, mas sem interrupção completa;
- Uso de portos no Mar Negro (Rússia e Ucrânia, apesar de tensões) ou Mediterrâneo oriental (Turquia, Israel), embora com custos logísticos mais altos.
“O milho não é como o petróleo: não depende exclusivamente do Golfo Pérsico. O Brasil tem flexibilidade para redirecionar cargas para outros compradores, como Egito, Turquia ou até Europa, se necessário”, explica analista da consultoria Safras & Mercado. Além disso, os estoques globais de milho seguem confortáveis, o que limita impactos nos preços internacionais — os contratos futuros na CBOT (Chicago) operam estáveis, com leve alta de 0,8% nesta quinta-feira.No Brasil, o agronegócio vê o conflito como risco secundário para o milho. A Conab projeta safra total 2025/26 em torno de 125-128 milhões de toneladas, com a safrinha (maior volume exportável) colhida principalmente entre abril e julho. Exportadores consultados afirmam que contratos com o Irã já estão firmados com cláusulas de force majeure para casos de bloqueio marítimo, e que o foco atual é acelerar embarques para outros destinos antes de qualquer agravamento.O dólar forte (acima de R$ 5,95) beneficia o setor, compensando eventuais custos extras de frete. A Petrobras, por outro lado, sinaliza reajustes em diesel — combustível chave para o transporte rodoviário de grãos —, mas o impacto no custo logístico do milho deve ser absorvido pela cadeia sem grandes perdas de competitividade.O K13 News acompanha o agronegócio em meio à crise global: enquanto o petróleo e o gás sofrem com Ormuz, o milho brasileiro mantém rota segura — pelo menos até que o conflito mude de patamar.Compartilhe esta reportagem e comente: você acha que o Irã vai mesmo bloquear Ormuz por tempo suficiente para afetar grãos brasileiros?K13 News – Do campo ao porto: o milho que segue exportando mesmo em guerra.