Crise no Eurovision: decisão de manter Israel provoca debandada inédita de países europeus
A permanência de Israel no Eurovision desencadeou uma reação em cadeia: emissoras da Holanda, Espanha, Irlanda e Eslovênia anunciaram a retirada do concurso, pressionando a organização e expondo a maior crise política do festival em décadas.
O Eurovision vive uma de suas maiores turbulências políticas em décadas após a organização do festival confirmar, nesta semana, a permanência de Israel na competição de 2025. A decisão provocou uma reação imediata de várias emissoras públicas europeias, que anunciaram a retirada de seus países do concurso, em sinal de protesto.
Holanda, Espanha, Irlanda e Eslovênia comunicaram oficialmente que não participarão da próxima edição, alegando que a manutenção de Israel em meio às tensões geopolíticas atuais contradiz “princípios éticos e humanitários” defendidos pelas emissoras e por parte significativa do público europeu.
A crise ocorre em um momento de forte sensibilidade internacional, e a reação dos países amplifica um debate que já vinha crescendo dentro da União Europeia de Radiodifusão (EBU), entidade responsável pela realização do Eurovision. Nos bastidores, delegações afirmam que a decisão divide internamente o bloco e pode afetar a imagem do festival, tradicionalmente associado à integração cultural.
Em comunicado, a organização do Eurovision reiterou que a participação de Israel segue “as regras e diretrizes vigentes” e que o festival “não deve ser instrumentalizado politicamente”. A EBU também afirmou que lamenta a saída dos países e defendeu o caráter cultural do evento, destacando que decisões sobre exclusão só são tomadas em casos que envolvem diretamente o processo artístico ou violações explícitas do estatuto.
A posição, no entanto, não foi suficiente para conter a insatisfação. Entidades de direitos humanos e grupos de fãs intensificaram críticas nas redes sociais, alegando que a permanência de Israel normaliza tensões diplomáticas e ignora preocupações humanitárias expressas por diversos países europeus.
Especialistas avaliam que a debandada pode não ser a última. Outras emissoras estariam avaliando seu posicionamento, temendo repercussão negativa ou pressionadas por seus públicos internos. Caso novas desistências se confirmem, o Eurovision 2025 corre o risco de se tornar uma das edições mais esvaziadas da história.
Apesar da crise, a EBU mantém o calendário do festival e já iniciou tratativas para reorganizar a logística diante das desistências. A expectativa é de que novas definições sejam anunciadas nas próximas semanas, enquanto o debate sobre o limite entre política e cultura continua a dividir espectadores, governos e artistas.
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